sábado, 12 de maio de 2012
Dia das mães. É amanhã. É dia de filas intermináveis nos restaurantes.
Continuo sendo mãe, filha e neta. Não posso reclamar.
Sou celebrada e celebro minhas ascendentes.
Mas continuo achando que é covardia com quem não tem mãe ou filho, ou ambos.O mesmo para o dia dos pais. Todos que ficarem chateados neste dia por qualquer das razões, têm minha total solidariedade.
No Budismo, todas as pessoas do planeta são consideradas nossas mães de vidas passadas.
Se todo mundo cultivasse a idéia, pais e mães teriam "seu dia" todos os dias do ano.
Passaríamos a celebrar e honrar nosso semelhante com a gentileza e o carinho que dedicamos aos nossos pais no "seu dia". Teríamos a Paz Universal e o Amor entre os Povos. O mundo seria melhor.
E o comércio poderia inventar o "Feriado da cozinha" no primeiro domingo de maio.
Venderia panelas, fogões e lotaria restaurtantes do mesmo jeito.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Sem promessas
Este final de ano não fiz promessas de mudanças nem pedidos ao Cosmos.
Tive uma conversa íntima com Deus assim:
-Pai, você me conhece melhor do que ninguém. Sabe o que eu gosto, o que eu preciso e adivinha todos os meus desejos. Sempre me surpreende. Então, não vou pedir nada. Você escolhe. Manda o que quiser. Tenho certeza de que eu não escolheria melhor. Confio em você. Te amo. Sua filha.
Na antevéspera do Ano Novo sonhei que fui voando ver a Aurora Boreal lá do espaço, como um satélite.
Lindo, lindo, lindo! Acho que meu Pai quis mandar um agrado ao meu coração.
No dia seguinte, os fogos de artifício em Copacabana iluminaram o céu da minha varanda com várias cores também. Acho que a Aurora Boreal é a festa que o Sol faz para Terra.
Passado o período de festas, estou em férias. Parei para sentir meu ano passdo. Não avaliar, sentir mesmo.
Foi duro, duríssimo. Mas não tenho do que me queixar, fomos vitoriosos em todas as batalhas.
Na minha casa sinto que reina uma Paz merecida. O vento fresco do mar e a luz azul que vem do céu e se reflete na mata atlântica entram na casa como uma Bênção de turquesas aéreas.
Ainda temos problemas sim, claro.
Mas tenho uma certeza plena, uma Fé absolutamente não raciocinada de que vai dar tudo certo.
Agenda do fim do mundo
Andei procurando por uma. Livrarias, shoppings, supermercados, papelarias...nada.
Todas terminavam em 31 de Dezembro de 2012. Que falta de criatividade!
Comentei com o meu marido que achava impossível que não houvesse uma para vender que terminasse no dia vinte e um, conforme o Calendário Maia previu.
Afinal, o assunto esta tão na moda que alguém deveria ter pensado nisso. Fiquei desapontada.
Meu marido sempre que pode adora satisfazer meus desejos mais malucos e saiu procurando uma.
E não é que achou? Mas esta esgotada, então estou esperando a próxima edição.
Parece que mais gente tinha o mesmo desejo que eu. Porquê? Bem, não que eu acredite no fim do mundo.
Mas acredito no início de um novo ciclo.
Minha homenagem bem humorada seria uma agenda destas.
A que eu cobiço tem a pagina rasgada no dia 21, que é negra.
Mas vou colar várias páginas em branco no final.
As páginas em branco serão pra mim como um presente que ficará embrulhado o ano todo.
Mal posso esperar para abrir!
sábado, 10 de dezembro de 2011
Entrando em parafuso
domingo, 21 de agosto de 2011
Balões de gás
Mais precisamente de gás Hélio. Com os de oxigênio não é o mesmo.
A mágica de desafiar a gravidade sempre foi mais fascinante do que as cores e formas.
Acho que eu tinha uns dois ou três anos de idade e naquela época minha cidade era bem pequena.
O único lugar onde podia ganhar um era o Bosque Municipal, o Zoológico da cidade.
Não gostava muito de lá. Era quente, úmido, mal cheiroso e os bichos presos nas jaulas me entristeciam.
Mas tinha balões de gás e nuvens de algodão doce. Então eu ia, de bom grado.
Se estivesse com sorte ganhava os dois.
O balão de Hélio não só voa sozinho como voa pra longe de você se não segurar firme.
Minha admiração pelo mais leve que o ar nunca teve limites.
Um objeto que além de desafiar a mais implacável as leis, ainda tem um desejo incontrolável de liberdade não pode ser menos do que fascinante.
Que levante a mão quem nunca desejou voar num balão e comer nuvens.
Os balões de festa, aqueles que caem no chão, cheios do mesmo ar que mora nos nossos pulmões, para mim são somente decorativos.
Para outros mais agressivos, estão ali para serem pisados e estourados. Disso eu não gosto.
Apesar do Oxigênio no corpo, minha alma tem Hélio.
A gravidade não me submete mais do que o necessário, e sou eu que escolho quem segura o meu fio.
À menor desatenção saio voando e procuro liberdade. Fujo para um banquete de nuvens.
E lá de cima, torço para que os meus irmãos que estão presos no chão um dia respirem Hélio.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Bicho do mato

Bicho do mato
Quando eu tinha uns seis anos mudei de um apartamento no centro da cidade para uma casa grande num bairro fastado com muito verde ao redor.
Poder andar para todo lado sozinha era só aventura, virei um bicho do mato.
Saia de casa descalça logo depois do almoço e voltava à noitinha quando os insetos começavam a picar.
Aprendi a fazer quase tudo que uma criança do campo faz. Subir em àrvore, nadar no lago, campear mato fechado, atirar pedras, correr das corujas e muito mais.
O que não quer dizer que eu não assistisse à tv. Assistia sim, e como.
Um dia vi num filme, um índio detectar a chegada de um trem colocando a orelha nos trilhos, só pela vibração, muito antes do trem aparecer.
Resolvi testar. Por incrível que pareça minha rua era bastante movimentada.
Carros passavam a todo momento em velocidade alta descendo uma ladeira curva na direção da minha casa. A curva era de tal modo que os motoristas não tinham visão alguma da minha rua antes de entrar nela.
Passei a me deitar na frente de casa com o ouvido no chão de costas para a curva. Prestava muita atenção às vibrações e antes que o motorista me visse deitada no meio da rua, eu já sabia que ele estava vindo. Esperava a aproximação do carro e saia correndo na ultima hora.
Sempre era tarde demais quando me viam.
Uns buzinavam, outros xingavam, teve até alguém que parou o carro e ameaçou chamar meus pais. E depois de algum tempo, os habituais passaram a entrar bem devagar na minha rua, o que tirava toda a emoção.
Um dia, estando muito concentrada no ruído, não vi minha mãe se aproximar quieta atrás de uma moita. Ela não entendeu o que eu estava fazendo e decidiu espiar.
Demorou algum tempo para aparecer um carro, mas quando ela finalmente se deu conta que eu estava bancando o dublê de índio, pulou em mim como uma onça.
Eu que estava correndo do carro, continuei correndo como louca até o final da rua e subi numa àrvore bem alta onde eu fiquei até escurecer. Por precaução.
Quando eu voltei pra casa, tinham desistido de me bater. Não me recordo o que disseram, mas achei melhor não fazer mais.
Mas continuei a escalar àrvores,calhas e a andar nas cumeeiras dos telhados dos prédios de três andares da vizinhança, até perder a graça.
Hoje que sou mãe, sei que devo desculpas ao meu anjo da guarda. Eu não fiz por mal, mas ele certamente teve que fazer hora extra e chamar reforços mais de uma vez.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Casando com Ziggy Stardust

Toda garota tem um amor platônico e, pelo menos uma vez na vida pensa secretamente em se casar com uma estrela do rock.
Minha paixão avassaladora era Ziggy Stardust, um alienígena Rockstar.
Lembro-me de andar em Londres com oito anos, à procura dos grandes cartazes de Bowie.
Ele era pálido, magro com estranhos olhos verdes e os cabelos vermelhos mais brilhantes que eu já vi. E ainda por cima alienígena!
Não poderia pedir mais. Ele era perfeito para mim!
Sua voz profunda vinda das estrelas diretamente pro meu coração e era simplesmente impressionante.
Era tal o meu fascínio, que me fazia parar na frente de lojas de discos e olhar os posteres hipnotizada. Minha mãe e meu pai tinham de me arrastar à força nos passeios em Piccadilly Circus, Oxford Street, ou praticamente qualquer lugar onde houvesse um cartaz ou uma loja tocando "Space Oddity" ou "Life on Mars".
Eu não tenho como descrever o que se sente quando se acredita ter encontrado o amor da sua vida, sua alma gêmea aos oito anos apenas, mas percebe que ele é, obviamente, completamente fora do alcance. Mesmo que ele fosse meu vizinho, eu acho que o meu pai não aprovaria.
Naquela época ele era um cara 16 anos mais velho, casado, supostamente bissexual, e cantor de rock que vestia roupas esquisitas. Mas, não por isso,a minha tristeza vinha da certeza de que meus pais nunca aceitariam um alienígena cantante como genro. Muito moderno para eles.
E, depois de dois anos vivendo no exterior, voltei para minha casa no terceiro mundo. Eu o perdi de vista.
Cinco anos mais tarde ele retornou ao cenário internacional e eu fiquei feliz por poder ouvi-lo cantar de novo.
Mas aí ele já era Mr.Bowie pra mim.
Fui no "The Glass Spider Tour" para vê-lo ao vivo.
Foi incrível! Eu tenho certeza que vou ser sempre fã e acompanho sua carreira "até que a morte nos separe."
Mas a minha criança interior ainda é apaixonada pelo Alien Rockstar.
Do meu coração de menina para você com amor Mr.Stardust!
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Dia do Médico
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Dia do Médico
É dia 18 de Outubro. Mas eu sempre esqueço e só me lembro quando recebo um cumprimento ou uma flor de alguém.
Só que dia do médico é todo dia, por que...
Todo dia é dia do Médico:
-levantar muito cedo mesmo que tenha trabalhado a noite toda
-ouvir milhões de queixas que nem sempre tem a ver com a consulta
-estar sempre educado e cheio de paciência
-comer correndo porque está sempre atrasado
-ficar horas sem poder ir ao banheiro
-tomar litros de café
-receber pouco e pagar muito
-escrever milhões de coisas na velocidade da luz com a melhor letra possível
-botar a cachola pra funcionar e descobrir o que tem de errado com o paciente
-chegar muito tarde em casa e encontrar a família morrendo de saudades
Seu médico gostaria que você soubesse que ele:
- também fica doente, triste, abatido e pode até ter depressão
-sofre de stress crônico e mantido
-tem dia que está de bom humor e dia de humor de cão
-enfrenta filas inesperadas em bancos e supermercados, e tem o dever de não dar consulta ali
-precisa tirar férias de vez em nunca
-precisa ir ao médico e ao dentista também
-tem mulher, filhos e pais com todos os imprevistos normais da família
-não esta ali pra agüentar de tudo e ainda bancar o bonzinho
-precisa receber em moeda pra poder viver
-não quer ser acordado as três da manhã pra responder se guaraná com banana faz mal pro estomago
A médica mulher:
-também fica triste com o namorado, o noivo, o parceiro
- tem TPM, cólicas menstruais
- fica grávida e tira licença maternidade
- cuida da casa, dos filhos, e do marido como qualquer outra
-trabalha tanto quanto um homem
É preciso lembrar que o médico:
-quando erra pode matar (a maioria dos médicos nunca se esquece disso, perceberam o stress?) apesar de ser humano como as outras pessoas
-tem direito à paz, felicidade e amor tanto quanto qualquer outra pessoa
-tem que estar bem, para ser bom ouvinte e pensar com clareza
-não faz mágica, não é Deus e nem tem vontade de ser.
-e principalmente não é obrigado a dar receitas, atestados, escutar queixas de ninguém. A não ser que a pessoa esteja em risco imediato de vida e não haja outro médico no local. Ou seja, em condições normais ele tem o direito de atender só quem ele quer.
Já que você não cumprimentou seu médico de estimação no dia 18, na próxima consulta:
-chegue no horário mesmo que ele esteja enrolado e atrasado
-diga por que confia nele
-vá direto ao assunto sem encheção de lingüiça
-conte a verdade mesmo que leve bronca
-agradeça e siga todas as orientações que conseguir
(seu Médico vai adorar)
Nós médicos sabemos que:
-por ai esta cheio de picaretas e incompetentes (como em qualquer profissão)
-a base da relação médico-paciente é a confiança (e agradecemos a sua)
-está tudo caro: convênio, remédios (a crise é pra todos, mas dá-se um jeito)
-é ruim ficar doente e ir ao médico (ninguém mais do que nós, detesta se tratar)
-quando não estamos disponíveis, se bater um pânico no paciente, nós sempre temos um colega pra indicar
O Médico Amigo e o Amigo Médico

O Médico Amigo e o Amigo Médico
Não confundir alhos com bugalhos. São coisas totalmente distintas.
O Amigo Médico é aquele seu amigo que por acaso se formou médico.
É uma pessoa pra quem você pode pedir amostras de remédio, indicação de especialistas, e até uma dica ou outra sobre algum assunto duvidoso.
Mas não deve ser jamais O SEU MEDICO. Porque não?
Porque sentimentos pessoais podem interferir na conduta médica.
Pena e negação são atributos humanos existentes nos profissionais da medicina, e um médico envolvido com o paciente pode decidir mal sobre qualquer coisa.
O Amigo Médico pode ficar com pena de solicitar um exame doloroso e deixar passar um câncer, ou então negar a existência de sintomas alarmantes simplesmente porque não deseja que o Amigo Paciente fique doente. Isso é possível e infelizmente mais comum do que se pensa, principalmente quando se trata de familiares do médico.
E tem mais, o paciente teria que ser solidário com os problemas do médico também, e reservar tempo para ouvi-lo, já que pra isso servem os amigos.
Não seria uma consulta e sim um desabafo bilateral, com ambas as partes fazendo em local de trabalho, o que deveria ser feito no boteco.
Não vou negar que me tornei amiga de alguns pacientes queridos, e que tenho dificuldade em controlar a consulta para que não tome um caráter recreativo.
Apesar disso consegui manter minha vida pessoal a certa distancia, e ainda fixo o foco nos protocolos médicos ao invés de me envolver.
Até porque em casos em que não deu mais pra ficar imparcial, eu encaminhei a pessoa para outro colega e continuei amiga dela.
Portanto quem acredita que é amigo do seu médico esta correndo o risco de ser bem recebido, porém mal atendido sem se dar conta disso.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Presente
Presente
(e por falar em sobrinhos...)
Quando meu sobrinho fez dez anos, pediu um celular de presente. Meu irmão ponderou, e considerou que poderia ser um ótimo jeito de monitorar o menino em suas andanças.
Um pouco antes de comprar o celular meu irmão viajou com a família e parou num posto de gasolina que vendia bichos de pelúcia.
Meu sobrinho se apaixonou por um carneirinho. Meu irmão que não gasta dinheiro em bobagem não ia comprar. Mas meu sobrinho implorou:
-Ah pai! Mas é tão lindo!
Minha sobrinha que é quase três anos mais nova, virou pro irmão e disse:
- Mas você tem que decidir que idade você tem! Quem compra carneiro de pelúcia, não usa celular!
Santa precoce garota sábia.
Ele largou o bichinho lá.






