domingo, 21 de agosto de 2011

Balões de gás

Balões de gás



Mais precisamente de gás Hélio. Com os de oxigênio não é o mesmo.
A mágica de desafiar a gravidade sempre foi mais fascinante do que as cores e formas.
Acho que eu tinha uns dois ou três anos de idade e naquela época minha cidade era bem pequena.
O único lugar onde podia ganhar um era o Bosque Municipal, o Zoológico da cidade.
Não gostava muito de lá. Era quente, úmido, mal cheiroso e os bichos presos nas jaulas me entristeciam.
Mas tinha balões de gás e nuvens de algodão doce. Então eu ia, de bom grado.
Se estivesse com sorte ganhava os dois.
O balão de Hélio não só voa sozinho como voa pra longe de você se não segurar firme.
Minha admiração pelo mais leve que o ar nunca teve limites.
Um objeto que além de desafiar a mais implacável as leis, ainda tem um desejo incontrolável de liberdade não pode ser menos do que fascinante.
Que levante a mão quem nunca desejou voar num balão e comer nuvens.
Os balões de festa, aqueles que caem no chão, cheios do mesmo ar que mora nos nossos pulmões, para mim são somente decorativos.
Para outros mais agressivos, estão ali para serem pisados e estourados. Disso eu não gosto.
Apesar do Oxigênio no corpo, minha alma tem Hélio.
A gravidade não me submete mais do que o necessário, e sou eu que escolho quem segura o meu fio.
À menor desatenção saio voando e procuro liberdade. Fujo para um banquete de nuvens.
E lá de cima, torço para que os meus irmãos que estão presos no chão um dia respirem Hélio.