terça-feira, 22 de outubro de 2013

Religião

Religião

Não pertenço à nenhuma. Tenho a minha. Não sou agnóstica nem atéia. Sou pró Deus.
Passei anos procurando uma pronta. Não deu certo. Fui nas mais tradicionais sem sucesso.
Toda vez que começava a frequentar alguma, começava a ter problemas com as "autoridades" locais.
Como? Fazendo perguntas que ninguém queria responder, apontando hipocrisias, criticando dogmas e paradigmas. Comecei a achar que eu era problemática, que tinha problemas pra adorar a Deus em grupo.
Até que recentemente minha vocação para estrepe me tirou das mãos de um culto. O guru me chamou de encrenqueira em alto e bom som. E eu pensei "Hmmm, isso é curioso. Não querem responder perguntas, não acham que precisam explicar nada, acreditam que podem me dizer o que fazer e como. Pedem dinheiro na cara dura. Estou fora.".
Percebi que o problema não é a religião. O que estraga tudo é que o canditato a atravessador de Deus é humano e portanto imperfeito. Como vou seguir diretrizes que passaram por um filtro tão parcial? Como vou seguir um sacerdote que não faz o que prega? Como vou respeitar alguém que não enxerga os próprios defeitos? Não aceito menos que a perfeição em alguém que se arvora em ser representante de Deus junto aos homens. Ou seja, não existe uma religião pronta boa pra mim.
Decidi não procurar mais nenhum grupo. Vou criar minha própria igreja, meus rituais, meus códigos e sacramentos, compor meus hinos de adoração. Vou ser sacerdotisa e minha única seguidora.
Deus há de falar comigo como vem falando há tempos, sem intermediários. Vou continuar acumulando conhecimento e transformando em Sabedoria segundo meu próprio discernimento. E se eu errar, vou aprender com a experiência. Vou fazer a caridade que eu quiser, como e onde eu quiser.
Vou cobrar dízimo de mim mesma e vou usar pra visitar meus locais sagrados.
E quando eu morrer terei escolhido o que vou encontrar do outro lado, e sei que não vou me desapontar.
Afinal de contas, para que Deus se daria ao trabalho de estar em cada um de nós se não para contato direto.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Meu primeiro diário

Meu primeiro diário

Começou num caderno de "Economia doméstica" que ficou pela metade seja porque a professora da matéria sumiu ou sumiram com ela, ou eu matei as aulas ou a professora, não sei. No final da ultima coisa que eu copiei da lousa ou da Enciclopédia Barsa, tanto faz, eu escrevi: "Sem comentarios, não dá".
Eu ainda não tinha quinze anos. Tinha uma caneta tinteiro de estimação, e nas noites calorentas e aborrecidas eu escrevia qualquer abobrinha que escapasse do meu senso crítico. Assim, na pura liberdade de expressão. Ninguém ia ler mesmo.Quero registrar aqui uma "pérola" de adolescente dentre tantas que colhi ao reler o caderninho de capa dura todo desenhado, rabiscado, escrevinhado. Depois de muito reclamar do tédio, dos idiotas, do calor e da ignorância humana eu escrevi : "Eu sou um problema cercado de ajuda por todos os lados".


Este desenho de Lavina Verdolaga parece ter sido feito sob encomenda para este texto pois acrescenta de forma visual o que esta implícito. O olhar ansioso perdido no horizonte, cercada pela ajuda em que quase me afogo a cada nova maré alta. No dia em que quebrei este paradigma deixei de ser um problema. Pelo menos pra mim. Nada sei com relação aos outros.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A bota

A bota

De neve. Com pelo de carneiro por dentro.
Meu marido que nunca me pergunta o que vestir e reclama quando peço pra se trocar, veio pedir opinião.
-Levo ou não levo a bota?
Eu pensando no peso dela, na trambolhice dela etc, fiquei na dúvida.
-Não sei, se não usar vai ser chato de carregar na mala. Mas se nevar vira tudo uma laminha nojenta e seu sapato social fica só na meleca, e molhado.
-Levo ou não levo?
Não querendo assumir essa responsabilidade e ouvir alguma reclamação depois, disse:
-Sei lá! E sai de fininho.
Ele levou. Choveu, nevou, elameou. Fomos num parque e ele ficou de fora porque estava de sapato social.
No dia seguinte viajamos para um castelo no campo e ele ficou na duvida se ia de bota: -Vou de bota hoje?
Eu:- Acho que vai ter laminha melequenta, mas não sei se vai ser um problema.
Ele:-Você não me respondeu. Vou ou não vou de bota?
E eu pensando na possível reclamação, só porque sugeri pra ir ou pra não ir. E se depois algo der errado? Respondi cheia do Espírito Santo: -Sei não...
-Fala ai! Vou ou não vou?
-Não vou falar, olhe pra fora e decida você mesmo!
Acho que estava inspirada. Ele vestiu a bendita bota. Decidiu sozinho. Pegamos o onibus e tal.
Assim que começamos a subir a pé pela entrada do castelo, ouvi "RRRRRROOOOOC!"
A sola do pé direito da bota dele descolou inteirinha. Agradeci ao meu anjo da guarda pela dica da boca fechada.
Uma japonesa idosa soltou uma risada histérica, do tipo:- Hiihihihihihihi! e o resto do grupo, abriu a boca pasmado:- Ohhhhhhhhhhh! Exceto pela velhota maluca, todos ficaram consternados.
Marido encarnou um troll. Estava com sangue nos olhos e fumaça nas orelhas.
Eu disse: -Deixa chegar lá em cima, eu peço fita adesiva e conserto pra você.
Ele jogou a sola descolada pra longe. Fui lá e catei com toda paciência.
Bem no portão, já conseguimos um rolo com o pessoal da manutenção e amarramos a sola de volta na bota o melhor possível, porque não tinha muita fita.
Mesmo assim a ponta da bota ficou com lábios. Estes faziam "blblblblbl" quando ele andava.
Então ele passou a arrastar o pé direito todo colado e resmungar irritado a cada passo.
Juro que não sabia se eu ria ou chorava, então tive que elevar o espírito e  manter a calma.
Claro que ele ficou mais lento, e acabou perdendo muito do tempo da visita ao castelo.
Quando conseguimos chegar no Coffee Shop já estava na hora de voltar para o onibus.
Ele estava tão bravo que resolveu comprar café mesmo assim, atrasado, correndo o risco de ser deixado pra trás. Eu e meu filho corremos na frente para implorar ao motorista do onibus para esperar por ele.
Alguns minutos depois ele desceu pelo caminho ladeado de sebes bem aparadas parecendo o Jack Nicholson no filme "O Iluminado". Mesma expressão facial, mesmo andar arrastado, mesmo cenário.
Só faltava a machadinha. Ainda bem que os japoneses se atrasaram mais do que ele.
Depois fomos almoçar em uma cidade medieval. Creiam, marido andou a cidade inteira para achar uma loja de sapatos e jogar a bota fora. Ô dó. Mancou daquele jeito o dia todo com um humor de cão.
Colocar o sapato novo ajudou um pouco a mudar o clima, mas não ficou cem por cento.
Quem já não perdeu uma sola, quebrou um salto ou arrebentou uma correia do calçado que atire a primeira pedra. Eu mesma, descolei parte da sandália andando no Shopping outro dia.O segredo é não perder a diversão e nem cair da pose.




terça-feira, 16 de julho de 2013

Ataques de riso

Ataques de riso

Melhor coisa do mundo. Melhor ainda se tem companhia e não ofende ninguém.
Só acontece quando almas se entendem tão bem naquele assunto que dispensa comentários.
É quase íntimo demais. São Fígados afins desopilando juntos, ao mesmo tempo.
Tem aquele segundo de cansaço, de dor nas bochechas, caimbras na barriga que faz a gente parar.
E depois trocamos olhares e caímos na risada de novo. Muitas vezes, até o esgotamento.
No meu cérebro o ataque de riso esta arquivado junto com sorvete cremoso italiano, sonhar que estou voando, e perfume de Lírio do Vale. Libera as mesmas endorfinas.
Tem pouca gente com quem consigo compartilhar um ataque de riso.
Mas são aquelas que estão sempre comigo mesmo quando estão muito longe por muito tempo.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Minha vida de cachorro

Minha vida de cachorro

Sim, é o titulo de um filme antigo, muito bom por sinal. Eu recomendo.
Vou contar como era minha infância antes do "Bullying" virar moda.
Sou diferente, meu cérebro é diferente. Como eu sei? Exames, médicos, psicologos, tudo.
Entrei na escola um ano antes da idade prevista, portanto além de diferente e novinha, era neurologicamente imatura também. Então tinha que correr atrás do meu desenvolvimento cognitivo por iniciativa própria.
Isso não tinha como dar certo, mas meus pais insistiam. Afinal, eu aprendia muito rapido, falava tudo.
Na creche, aos 2anos e meio, apanhei duas vezes de um moleque assim que cheguei. Na terceira bati nele.
Ganhei como castigo limpar o nariz de um garotinho que tinha sinusite cronica, durante uma semana inteira.
Na verdade fiquei na duvida se aquilo era castigo porque o garoto era deficiente, e se eu não fizesse ninguém fazia. Então passei a fazer sem ninguém mandar quando tinha meleca demais nele, por higiene.

No Jardim de Infancia não me concentrava nem um pouco nos exercicios preparatorios para aprender a escrever. Só queria brincar. Eu tinha três anos. Era uma escola de freiras só para garotas ricas e mimadas.
Um dia fui empurrada num jardim de cactos e me espetei toda, no outro me derrubaram durante  a aula de balé. Até aí estava quieta. Durante a aula regular alguém mexeu comigo e eu respondi. Fui repreendida pela professora na frente da classe toda, só eu. Peguei minha carteira de madeira e quebrei em pedaços no chão.

Lógico que fui transferida para outro colégio de freiras igualzinho. Com a recomendação de que era "meio problemática". Muito bem, continuava a caçulinha, ninguém me batia, mas era sumariamente ignorada com olhares de désdem. Ouvi que não ia passar de ano porque era muito novinha. Com o meu avô peguei um bloco de papel vegetal, e me pus a copiar letras corridas e letras de forma. Depois de um mês, coloquei o bloco escrito na mesa da professora. Ela não acreditou. Escrevi na frente dela sem a cola por baixo. Passei de ano.

No Pré primario sofri um dos espisódios de bullying mais icônicos da minha vida. Quando tinha aniversario, a dona da festa (fazíamos no recreio) ganhava desenhos das colegas de presente. Na véspera da minha festinha, um grupinho de garotas veio até mim  e avisou que se eu aceitasse o desenho da Claudinha (troquei os nomes) eu seria excluida do grupo de "descoladas" e das atividades sociais coletivas.
A Claudinha era uma garota com paralisia cerebral grave. Quando perguntei o porquê, as "descoladas" disseram que a menina tinha as mãos "nojentas" ( ela tinha mãozinhas hipotonicas e cutucava o nariz).
Eu achei aquilo maldade e falei exatamente o que pensava. Fui olhada com profundo desprezo e nojo.
A professora dentro da classe brincava de três macaquinhos, afinal perder alunas ricas nunca foi opção.
Em casa, arrasada, contei pra minha mãe. Ela me disse:- Sim filha, é maldade e discriminação! Mas só você pode decidir o que fazer. Se quer enfrentar suas colegas ou não. Tudo tem um preço. Às vezes a gente tem que ficar num meio termo, não dizer exatamente tudo o que pensa, e fazer o que é possível fazer.
E eu do alto dos meus cinco anos disse: - Mas mãe isso é hipocrisia! ( Sim eu já sabia conceituar hi-po-cri-sia e aplicar no contexto correto).
No dia seguinte todo mundo me entregou um desenho, inclusive a Claudinha e eu aceitei. As "descoladas" pararam de falar comigo por dois anos. Fiquei invisível pra elas na escola, e isso é uma modalidade de bullying passivo-agressivo.

Até que fui morar no exterior, e conheci o bullying físico pra valer.
Em Londres, naquela época começava o movimento que deu origem ao punk. Apanhei da mesma gangue de garotos por duas vezes na porta do meu apartamento só por que estava ali, sem motivo. Nem dava pra revidar porque eram muitos. Eles batiam no bairro todo. Eu tinha só oito anos. Mas quando era um garoto só, eu revidava na base da mochilada e saia correndo.
Na escola inglesa eu era discriminada porque vinha do terceiro mundo, e junto com as crianças mulçumanas, indianas e africanas formávamos o grupo dos párias com quem ninguém falava. Invisível de novo.

Quando voltei para o Brasil, as mesmas "descoladas" vieram com paparicação  porque morar no exterior era chique. Pedi para minha mãe me colocar numa escola pública no ano seguinte, longe do bando de hipócritas, cínicas e interesseiras.
Foi um período tranquilo no ensino público.
Tive uma paz relativa e passei a lidar com as provocações de modo blasé, desqualificando verbalmente qualquer impertinência. Neutralizando adversários.

Quando entrei na faculdade, o bullying começou no trote, e continuou por vários anos sendo perpetrado em todos os níveis dos mais toscos aos mais sutis, pelos veteranos e por colegas de classe de quem eu discordasse. Aqui não entro em detalhes porque esses Drs. hoje são "respeitáveis membros da sociedade". Os estudantes de Medicina são mais ou tão agressivos que os recrutas do exército quando se trata de oprimir o semelhante. É o trote que mais matou alunos até hoje.

Mas tenho que deixar registrado que depois de seis anos de amolação diária, o pior bully do pedaço, eu peguei pelo pescoço dentro do elevador a uma semana da formatura. Estavamos sós e ele soltou uma obscenidade nojenta. O choque de ser atacado por uma magrela foi maior que a capacidade dele reagir.
Ele se soltou e desceu pela escada. Se ele tivesse me machucado eu teria ganho também. E como!
Ainda não sei se ele foi embora para outro estado porque quis, ou por livre e espontanea pressão do corpo docente da universidade. Acho que nunca saberei, mas foi uma bênção este cara fazer residência em outro canto.

Aprendi que temos que criar recursos pra enfrentar bullying de qualquer tipo. Eu nunca tirei carteirinha de vítima. Se dá pra transformar o desafeto em um individuo neutro ou amigo, ótimo! Se não há meio, estabelecer limites e impor respeito é fundamental. Mas isso é um texto a parte, sou a favor da não-violência.

Adendo: Alguém que leu este texto perguntou como me lembro de coisas tão antigas numa idade que quase ninguém lembra. Bom, no começo eu expliquei sobre meu cérebro ser diferente. Faz parte.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Assombrações

Assombrações

Na minha casa tinha, sempre teve e ainda tem. Não estou falando do que já apresentei antes.
Eu morei num edificio vitoriano no meio de Londres e não era tão assombrado como foi minha casa aqui.
Quando eu assisto aqueles programas de caçadores de fantasmas na TV fico surpresa com o que assusta as pessoas. Que mixaria! Que povo frouxo! Que apavoramento injustificado!
Luzes que acendem e apagam, lampadas que estouram, portas que abrem e fecham sozinhas, armarios com corrente de ar gelado, invasões de insetos, cama que sacode, cobertor que sai sozinho, sombras escuras, luzes fugazes e orbes estranhos. Barulhos, ah os barulhos! Vozes, passos, pancadas, sussurros, rangidos, estalos. Bafos gelados na nuca. Lustres balançando sem vento.
Filmar e investigar na minha casa daria talvez uma temporada inteira de caça fantasmas.
Quando crianças eu e meu irmão dormiamos despencados um por cima do outro, armados com cruzes e brinquedos ao redor da cama.
Depois fomos para quartos separados mas às vezes dormiamos juntos por solidariedade.
Tinha o olhinho do mal espiando de dentro do armario. Naquela mesma porta apareceu invasão de formigas, abelhas e baratas em ocasiões diferentes. Só ali. Foi tri-dedetizada.
Já acordei sendo estrangulada por duas vezes e regularmente sentia puxões nos pés, até que aprendi a chutar e socar sem acordar. Funciona. É só não aceitar o bullying espiritual.
Meus pais? Nunca acreditaram na gente. Dormiam o sono dos justos. O terreno era de uma antiga fazenda de café do tempo da escravidão. Uma temporada, o açude que ficava bem perto começou a engolir um nadador por semana, até que fecharam a prainha. Fiquei vinte e três anos morando com os encostos.
Em outra casa, tinha um velho chato que saia do armario pra perturbar. Descobri que era o cara que construiu e morreu nela. Fiz um acordo com ele, que ele ficasse na edícula e eu na casa. Um dia meu cachorro apareceu enforcado na propria coleira. Ai eu fiquei doente e me mudei de lá. Não aguentei!
Fui pra uma casa novinha em folha, num terreno que estava vazio há muitos anos. Achei que não ia ter mais problemas, mas encosto e assombração é bicho apegado!
Quando o meu filho pequeno começou a se queixar das assombrações. Eu disse a ele: -Sabe o que você faz? Assim que dormir fique atento, quieto e desça o cacete de surpresa neles na primeira oportunidade!
Um dia ele me disse todo contente: -Mãe ontem matei um! E eu:-Matou o que menino?
Cheio de orgulho:-Um monstro!
Morri de orgulho, falei:- Agora vou te chamar pra me ajudar de noite, vamos quebrar tudo! Fazer um "limpa" nesta casa.
Ele passou um bom tempo sem reclamar e eu precisei perguntar como andavam as coisas.
Ele:- Tranquilo mãe! Quando aparece alguma coisa eu já parto pra cima e resolvo.
É fato que as assombrações precisaram mudar de estratégia pra chamar a atenção. Passaram a interagir com os eletronicos. Disparavam radios, relogios, ligavam computadores e até a TV no meio da noite.
Perturbavam meu agora falecido gato que as via e caçava por todo apartamento.
Agora eu moro num prédio novinho num lugar da cidade que já é habitado há 500 anos. Muita história aqui.
Teve um dia que eu acordei com o toque do meu antigo celular, pasmem,
no radio-relogio do meu marido no meio da madrugada. Ele também acordou irritado com o meu descuido. Lesada de sono procurei o aparelho até descobrir que ele estava desligado. Como a musiquinha foi parar no outro aparelho eu ainda não sei. Nunca mais repetiu a proeza.
Tem uma assombração do momento que atende pedidos de piscar luzes e responde perguntas de sim e não.
Rezei pra ir pra Luz. Não foi. Então azar dela, agora eu a ignoro solemente.
Às vezes derrubam coisas, aparecem no espelho do banheiro, ou tentam gerar pesadelos.
Agora somos três adultos enfastiados com a carência dos incorpóreos. Ninguém dá bola.
Monstro de verdade é aquele ficava babando embaixo da nossa cama. Bons tempos!