quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Centésimo post

Centésimo post

Daqui a duzentos anos este século vai ficar conhecido como a era da tecnologia, onde tudo começou e acabou em globalização.
Seremos lembrados assim:
Naquela época a medicina fazia avanços micromoleculares mas não sabia tratar e curar de vez a maioria das doenças. As industrias farmaceuticas empurravam durante cinco anos, novidades que adoeciam as pessoas, para depois retirarem a droga quando a reserva de mercado acabasse.
Os médicos não sabiam tratar sem invadir, causar dor, mutilar definitivamente.
Os cientistas conseguiam prever em detalhe todas as consequencias do estilo de vida do planeta, mas ninguém fez nada a respeito.
Foi o século em que mais se usou energia não renovável e mais se guerreou por causa dela.
Não houve um ano sequer de Paz Mundial. Inocentes foram queimados, decapitados, estuprados, afogados, destituídos, baleados, esfaqueados e mortos de fome e sede.
Drogadidos e o tráfico suplantaram os óbitos das casualidades de guerra em milhões. Doenças novas começaram, várias pandemias apavorantes que mal foram controladas. Pessoas morriam sangrando por todos os orifícios, sendo devoradas por fungos e bactérias. Os vírus brincavam de mutação e resistência impedindo a produção de vacinas eficientes.
Empresas começaram a dominar as fontes de agua e comida limpa. E as corporações passaram a patentear o DNA de sementes e tudo que pudesse gerar direitos autorais ou de patente.
A fome da maioria não foi suficiente para mudar as politicas dos  governos. E logo a sede da maioria passou a colher o mesmo fracasso porque a água potável acabou. Passou a ser vendida a preços exorbitantes em garrafas e galões, sendo o principal mecanismo que levou à neo escravização de grupos carentes.
Era o mundo onde um por cento da população detinha noventa e nove por cento da riqueza. Um mundo seco com climas extremos, sem comida, cheio de gente doente enlouquecida pela miséria e inspirada por fanatismo politico e, ou, religioso cometendo todo tipo de desatino em nome da carestia e de crenças distorcidas pelo meio.
Um tempo em que a vida humana valia tanto quanto o desejo e o discernimento do próximo, onde a corrupção travestida de iniciativa drenava a miséria a goles largos na loucura do parasita que mata o hospedeiro.
Gerações de ególatras aproveitaram o espetáculo para ganharem qualquer coisa ainda que à custa do alheio e até dos próprios valores pessoais atropelando a fila, deixando para trás sua própria alma.
A globalização nada democrática da pobreza, da carência, da desonestidade sem culpa, do espírito predatório e belicoso, do cada um por si e o resto que se dane, dos quatro cavaleiros do apocalipse: a fome, a peste, a guerra e morte, que abraçou o planeta subjugando o espírito humano.
A grande diferença desta era, é que o que antes só alcançava meia dúzia depois de semanas a cavalo ou a pé, fosse bom ou ruim, passou a surpreender em horas o planeta todo.

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